Adalberto Piotto

Domingo, 10 de Agosto de 2008

Faz tempo, eu sei.

Caros leitores deste blog, poucos e fiéis...


... que participaram dele e que há muito me pedem para voltar a escrever, seja em mensagens aqui ou no meu e-mail da Rádio CBN adalbertopiotto@cbn.com.br, onde recebi a maioria dos pedidos.

Faz tempo que não o faço, sei disso.

Aliás, as datas abaixo das últimas postagens são provas incontestáveis.

Mas nem as quero contestar.

O fato é que uma sucessão de coisas fez com que eu deixasse de escrever. Essa é a notícia velha.

A boa é que o farei novamente. Um blog livre para todos os assuntos que realmente interessarem.

Foi assim, será assim.

Talvez venham grandes mudanças no layout, talvez nem sejam tão grandes assim.

Mas, pretendo, virão os textos, postagens, como se diz nesse universo blogueiro.

Ao trabalho.

Grato

Adalberto Piotto
Jornalista, Âncora Rádio CBN

Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007

Conversa torta

O Brasil foi aclamado sede da Copa do Mundo de 2014.

Aclamado porque não houve concorrência.

Bem, mas isso é fato. Goste-se ou não.

Particularmente, gosto de o meu país sediar um evento dessa importância.

Eu só não gosto das respostas e argumentos diante da situação made in Brazil.

Quando se justificou no passado que se queria a Copa aqui, disseram os defensores da candidatura que isso pode provocar uma transformação no país em infra-estrutura.

O que me incomoda é o fato de imaginar que os brasileiros daqui só terão o privilégio de poder andar mais e melhor de metrô, de trens ligando cidades e aeroportos melhores, e ainda, ir a um estádio e ser bem tratado porque os estrangeiros virão para a Copa. Café tipo exportação, infra-estrutura para inglês ver.

Isso nos remete a pergunta: por que não se tem tudo isso já? Não pagamos impostos pra isso? Não merecemos respeito e tratamento cidadão desde ontem?

Mas é fato. A Copa virá. E, espero, com segurança para todos. Daí, não vale a resposta de Ricardo teixeira, presidente da CBF, à repórter canadense da Associated Press.

Imaginando se tratar de assunto importante, a colega repórter ousou questionar Teixeira sobre a contundente e inabalável (abala a população) violência do Brasil.

Que absurso!!! Vivemos em paz, embora estejamos sempre batendo recordes de carros blindados, condomínios fechados, cercas elétricas, cercas farpadas e, pra citar a jornalista da AP, o número de homicídios.

Surpreso (?!?!) com a pergunta Teixeira veio com uma conversinha torta que o Brasil não tem meninos que invadem escolas atirado em todo mundo. E precisamos disso?

Pra terminar, não se trata de um defesa da repórter canadense. Não precisam me acusar de corporativismo. É que ela perguntou sobre como é a segurança no Brasil porque a Copa será aqui. Não é isso que a CBF queria.

É fato!

Avisem a CBF, por favor.

Em tempo: se a "escolha" do Brasil era tida como certa, por que uma comitiva de tantos governadores, o próprio presidente e ministros foi a Zurique?

Em tempo 2: a cena de Marta Suplicy e Orlando Silva, Turismo e Esportes, se espremendo no cangote do presidente para aparecer na imagem da TV Globo quando Lula concedia entrevista à emissora é decadente.

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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Argumento torto!

O Governo Federal, via ministro da fazenda, presidente e base no Congresso não pára de dizer que é impossível abrir mão da CPMF. Que a saúde perderia, faltariam recursos para o combate à pobreza, etc.

Por isso, vê-se todo esse "empenho" até as ùltimas conseqüências para fazer aprovar a prorrogação da contribuição.

A discussão agora está no Senado.

Mas nesse meio tempo, nada como o tempo, aparecem informações que revelam a destinação do dinheiro da CPMF, os R$ 36 bilhões.

Um estudo da pesquisadora Tathiane Piscitelli, da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo mostra que quase 40% do dinheiro não vai para a saúde. É que 20% já ficam para a DRU, o questionável artíficio legal que permite ao governo, legalmente, não cumprir outra lei que o obrigava a aplicar determinado percentual em certa área, normalmente sáude e educação.

Outros 20% aproximadamente, segundo o estudo, desde 2001 (dois últimos anos de FHC e 4 primeiros de Lula), não estão sendo aplicados nem na saúde nem no combate à pobreza. Simplesmente o governo não gasta, guarda no caixa. provavelmente para fazer superávit. Uma hipótese.

Dos 60% restantes, a doutora Tathiane aponta que o dinheiro vai para a rúbrica "despesas correntes", que pode ser pagamento do ascensorista, do salário do médico, dos remédios, etc, e também no combate à pobreza.

Não deixa de ser dinheiro para a saúde, embora menos do que deveria.

O que sugere alguma "reengenharia" financeira do governo é que o dinheiro da CPMF estaria substituindo o dinheiro que deveria sair do orçamento, da arrecadação. Ou seja, o dinheiro novo não financia uma renovação, uma ampliação ou uma melhora signicativa da saúde. É o que mostra o estudo.

Com isso, começa a se entender o motivo de o presidente Lula dizer que nenhum governo do mundo consegue abrir mão de R$ 36 bilhões da noite para o dia. Não tem dinheiro, inventa um novo imposto ou prorroga-se algum. É a gênese da CPMF desde sua criação. Repete-se agora.

É a engenharia da administração das finanças públicas no Brasil.

Se você fizer o mesmo na sua casa, vai à falência ou entra pro SPC.

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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

De vinhos, agora!

Uma degustação de vinhos é sempre informativa, instrutiva e prazerosa.

Uma degustação vertical, ainda melhor.

Mas antes de continuar, permitam-me:

Degustação vertical é aquela em que você analisa um mesmo vinho de safras diferentes. Degustações horizontais são de vários vinhos diferentes, de mesma uva ou não, de mesmo estilo ou não.

Pois bem, o fato é que ontem, à convite de Fábio Miolo, diretor da Miolo Wine Group em São Paulo, participei de uma degustação vertical de Lote 43, um dos ícones da vinícola e da indústria nacional.

Sou da geração do Lote 43. Quando o Lote safra 99, uma das melhores no Rio Grande do Sul, fazia sucesso como "o melhor vinho brasileiro", título concedido por vários especialistas à epoca, eu começava a provar e beber vinhos finos com mais freqüência.

Era caro para os padrões da época, cobiçado, comentado, venerado. Não o bebi naquele tempo. Provei os quatro agora. A vida muda...pra melhor!

De lá para cá, a Miolo só cresceu. Tornou-se uma das principais vinícolas brasileiras e um grupo com atuação internacional de parcerias com empresas do Chile e Espanha e a consultoria de Michel Rolland, o francês que faz vinhos premiados no mundo todo e é amado e odiado por isso. O melhor exemplo do Wine Flying Maker.

Mas voltando aos vinhos, a vertical foi sobre o Lote 43 das safras 1999, 2002, 2004 e 2005. Como só é feito nos anos de safras ótimas ou excepcionais e com produção limitada, o 99 e o 2002 já não existem mais para compra. O 2005 ainda envelhece silenciosamente nas caves da Miolo no Vale dos Vinhedos e o 2004 é o único ainda disponível no mercado.

O 99 foi, na minha opinião, o melhor. Aromas profundos de fruta vermelha madura, um toque aninal, leve químico. Longo na persistência, é marcante na boca com taninos leves e acidez presente. Um vinho com 50% de Cabernet Sauvignon e 50% de Merlot (como todos, aliás), vem de parreirais plantados pelo sistema latada, muito parecidos com os parreirais que fazem muita sombra. Esse sistema de condução é hoje crucificado pela maioria dos analistas. Na época, creia, Adriano Miolo, o enólogo-chefe, fez um vinho único.

O 2002 revela uma acidez mais intensa que combina muito com comida. Tem aromas químicos, leve frutado de amoras, média para longa persistência e boca de fruta, algo de tabaco. Belo vinho. Nada moderno, o que não é nenhuma desvantagem. É característica, é estilo.

O Lote 43 safra 2004 é o vinho da transição. É o primeiro Lote feito com a supervisão de Michel Rolland, então recém-contratado da Miolo. A influência se nota facilmente. O vinho continua classudo, mas tem estilo que tenta se aproximar do moderno, globalizado com aromas de frutas evoluídas, maduras e cozidas, taninos bem domados e agradáveis.

O Lote 2005 é um mundo à parte para a vitivinicultura do Brasil, que teve neste ano a sua melhor safra da história. Este Lote 43 já tem o trabalho completo da parceria Adriano-Rolland. É moderno, contemporâneo, intensamente frutado (note os aromas sedutores de groselhas), compota, algo como especiarias, louro. Na boca, muito agradável, belo corpo. É o extremo do vinho de 99 em estilo, proposta e capacidade de agradar a média do provador de vinhos. O 2005 arrebata multidões enquanto o 99 encanta como um legítimo made in Brazil, um vin de terroir, diria Didú Russo, um degustador fora de série.

Enfim, uma bela vertical e uma prova da qualidade do vinho brasileiro e do talento dos Miolo. Bem-vindos ao mundo!

É fato.

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Discussão maliciosamente torta

A discussão sobre a CPMF é torta!

Os argumentos do governo são tortos e maliciosos.

O bate-boca na Câmara foi pífio. A máquina fisiológica do governo não deu espaço pra muita coisa. Os parlamentares famintos por cargos e verbas se lambusaram.

No Senado, espera-se, a discussão precisa ser melhor. Não dá pra admitir dois obscurantismos num mesmo congresso.

E isso tudo porque chega às raias do patétito e da falta de educação o argumento de que nenhum governo pode abrir mão de quase R$ 40 bilhões da noite para o dia. Lula diz isso, os auxiliares repetem tudo como uma idéia fixa, como se não se reservassem o direito da inteligência própria e o dever de respeitar a dos outros.

Quando se diz que não dá pra ficar sem CPMF, quando não se tem crise econômica mundial à vista, ou abalos de economias emergentes que pudessem contaminar o Brasil, não cola.

O argumento da crise externa foi usada pelo governo do PSDB. Até colou. Mas não foi nenhum exemplo de competência tributária a ser copiado. Na verdade, era ruim. Além, claro, da má fé de usar algo que foi pensado para uma coisa - a Saúde - e usar pra outras. Mesmo assim, no final do mandato de FHC, a base do governo, inflada pelo pragmatismo dos petistas que assumiriam no ano seguinte, fez aprovar a prorrogação em 2002. O que é bom se copia. O ruim, dependendo pra quem, também.

Vivia-se aquela turbulência de o que poderia ser Lula no poder.

Como vimos, não foi nada do bicho que a direita temia, nem o salvador que a esquerda queria. Foi morno. É morno.

Mas o fato é que o governo e também a oposição não vão ao verdadeiro ponto na questão da CPMF: O que fez o governo nos últimos quatro anos para não ter de precisar da Contribuição Provisória( eu disse p-r-o-v-i-s-ó-r-i-a) sobre Movimentação Financeira?

Sem a honestidade de admitir que nada fez e pouco foi competente na gestão tributária e de gastos, e que por isso talvez precise de mais algum tempo da CPMF, não dá pra engolir esse engôdo da discussão pautada pelo governo e maliciosamente torta.

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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

Tropa de Elite, sociedade rasa.

Nada mais atormentador que o filme Tropa de Elite, um legítimo reality show brasileiro, de José Padilha.

Atormentador a se ver o buraco que cavamos para nos enfiar. O filme é um buraco sem fundo da realidade brasileira.

Os traficantes do morro não são piores que os meninos "bem-nascidos" do curso de direito. Uns traficam e consomem, outros traficam e consomem. Fazem o mesmo. Um faz o bolo do tráfico, da violência, do caos. Os meninos do lado de baixo do morro o repartem sob alto custo financeiro e altíssimo preço social.

A conta? Pagamos todos. Os que consomem pagam justamente, afinal, são acionistas do tráfico ao darem sua "fumadinha" ou cheiradinha pra descontrair, são apenas usuários. Coitados. Vítimas de si mesmos. Mas se a droga agora não os deixa pensar porque se tornaram viciados, antes, penso, poderia-se ter exigido deles uma certa contextualização social de causa e conseqüência ao acharem que a "a vida é minha e faço dela o que quiser, seu careta".

Mas que raio de contextuali..o quê, mané? Os meninos podem discutir o estado opressor pela ótica de Foucault, mas ainda são muito jovens e inconseqüentes para contextualizar suas ações individuais que resultam conta coletiva a pagar. Impulsividade juvenil e desejo de inserção. Temos de entender, né?

Sob o olhar do tráfico, tivéssemos alguém com noções de antropologia e sociologia lá em cima ("lá em cima" quer dizer área social pobre e de tráfico rico, serve para qualquer cidade), certamente riria dos tolos do andar de baixo, na escala topográfica, e no suposto patamar de cima, a se olhar o lado sócio-econômico. Nessa guerra, na hora da bala e das mortes, todos se deitam e ficam iguais.

E a polícia? A parte ordinária e corrupta é do conhecimento de todos. Há exceções. Mas avançam à escassez, à medida do tempo e da fragilidade humana.

E a tropa de elite? Descrita como incorruptível, violenta, cirúrgica, "estratégica" e...justiceira.

À primeira vista é de espantar os humanistas. À segunda vista, de estarrecer. E vai ser sempre assim aos olhos humanistas e sociais.

E os meninos consumidores, a sociedade que só dá um "beckzinho" num fuminho, que só sente a "maresia" ou uma poeirinha branca?

É descrita como leniente, contraditória, vagabunda, complacente e...crítica à violência? (vide as dicussões na sala de aula em torno de Foucault).

À primeira vista seria de espantar os humanistas. À segunda vista, de estarrecer. E deveria ser sempre assim aos olhos humanistas e sociais. Mas nem sempre é, lamentavelmente. Dois pesos, duas medidas.

Jiló é um negócio que se compra na feira. Quanto mais se comprar, mais incentivo se dá ao produtor, ao negociante, ao vendedor.

Droga é um negócio que se compra no beco. Quanto mais se comprar, mais incentivo se dá ao produtor ilegal, ao traficante violento, ao vendedor "aviãozinho".

Simples. Tanto quanto achar-se esperto porque viu o filme na versão pirata. São papagaios que reproduzem o que o pirata diz: isso não é crime, é uma forma de levar vantagem sobre os outros.

Enfim, a violência do filme Tropa de Elite não é diferente do que se vê diariamente sobre os morros e os cantos violentos de todas as cidades açodadas pelo tráfico. As desculpas para o "beckzinho" ou a cheiradinha do consumo social não são diferentes do que se vê diariamente sob os morros e os cantos mais abastados de todas as cidades deste país açodadas pela violência do tráfico.


O capitão Nascimento não é alienígena.

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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

Já combinaram tudo

Renan se afastou da presidência do Senado.

Serão 45 dias longe da cadeira que ele bradou não largar.

Largou, sim! Temporariamente.

Tião Viana, do PT do Acre, assumiu interinamente a presidência.

O governo quer aprovar a CPMF no Senado.

Renan era aliado. Mas um aliado incômodo.

Tião é do partido.

O acordão, se de fato existiu, já começou...e bem. Pelo menos para os brasileiros que têm carteirinhas graduadas do governo federal.

Os outros brasileiros, a imensa maioria, ainda corre o risco de não ver julgamento sério dos processos contra Renan e pagar mais imposto.

Quem ganha essa disputa?

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Falta combinar com os russos!

Diante da insustentável leveza do ser Renan Calheiros, já está sendo esboçado no Senado um acordo do tipo "Pára tudo e aprova logo a CPMF".

É que o governo já não aguenta mais conviver com o temor de ver reprovada a CPMF. Vide o desespero da ameaça do ministro Mantega que disse que sem o imposto do cheque, o governo pode aumentar os impostos para..."compensar as perdas". Esqueceu de dizer que o governo não pára de bater recordes de arrecadação.

Bom momento da economia, crescimento, comemora o governo. Do outro lado, quer ainda mais imposto. Essa conta não fecha nunca?

Bem, voltando a Renan, o acordão sugere um afastamento do presidente do Senado e o caminho livre para a aprovação da CPMF.

Da série perguntar não ofende:

Alguém já combinou isso com a oposição?

Já combinaram com a lei? Afinal, os processos no Conselho de Ética contra Renan são por desvio de conduta, o que sugere cassação.

Por fim, combinaram isso com a opinião pública brasileira? Não fomos levados ao debate com as acusações de falta de decoro contra o presidente do Congresso? Nesse caso, basta o acordão do governo para afastar Renan da presidência e aprovar a CPMF?

Acho que combinaram tudo, sim. Com os russos.

Os brasileiros...bem, os brasileiros podem ter de engolir um acordão vergonhoso, sem investigação séria e mais imposto com a CPMF prorrogada.

Bem do jeito que quis o governo Lula desde o início.

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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Suplente. É fato!

Um ouvinte me escreve para reclamar da minha descrição enfática sobre o senador Wellington Salgado, PMDB-MG.

Eu fiz a descrição para explicar o motivo do protesto dos manifestantes do PPS (post abaixo) hoje no Senado. Estavam vestidos de "franciscanos".

Descrevi Salgado como senador que só está no cargo porque era, até outro dia, o desconhecido suplente de Hélio Costa, senador eleito e atualmente ministro de Lula.

O ouvinte não se conteve e classificou meu comentário como ignorante, preconceituoso, discriminador e parcial. Sinceramente, não entendi a crítica.

Bem, a resposta publico aqui no blog anotando cada um dos adjetivos e minha contestação:

Ignorância: em pesquisa recente, uma infinidade de eleitores disse não saber quem era o suplente do senador em quem votaram na última eleição. Alguns nem lembravam em qual candidato ao Senado tinham votado. Ignoravam o fato não por má fé ou má informação. Simplesmente, o nome do suplente estava pouco "eloquente" na campanha. Honestamente, alguém saberia dizer de bate-pronto quem são os suplentes de meia-dúzia de senadores?

Preconceito: não seria preconceito do próprio candidado ao seu suplente o fato de não mostrá-lo a ponto de fazer seus eleitores também o conhecerem?

Discriminação: é o que, pressuponho, sente o suplente - que seja realmente do bem - ao não poder frequentar os mesmos palanques que seu colega candidato. Talvez seja discriminação da lei que não obriga que o suplente, que pode se transformar em senador por causa de coisas que ninguém pode prever, seja apresentado de forma eloquente, para ser avaliado pelo eleitor que sofrerá ou se beneficiará com os poderes legislativos que o mandato lhe concederá.

E, por fim, parcialidade: não é parcialidade achar que quem não recebeu voto, porque não era conhecido e não foi exposto, tenha de ter os mesmos direitos que aqueles que passaram pelo crivo popular?

Em tempo: acabar com as suplências ou aperfeiçoar essas regras faz parte dos mais austeros projetos de reforma política no país. Estariam esses projetos equivocados?

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Senado democrático?

O Senado não se basta.

Não fosse Renan e sua tropa de choque.

Não fossem a sessão e a votação secretas que o absolveram.

Não fossem as abstenções, como a de Aloísio Mercadante, que ajudaram a absolver Renan, tem também:

1- manifestantes do PPS - bem-humorados, apesar do caos ético do Senado - foram à Casa hoje vestidos de "franciscanos" para protestar. Motivos, convenhamos, não faltam. E se vestiram de "franciscanos" usando o mesmo mote que Wellington Salgado, o nobre senador que está no Senado porque é sumplente de Hélio Costa.

Queriam entregar chinelinhos para os senadores que esperam a "atenção" do governo Lula com nomeção de apadrinhados para cargos de sendo e terceiro escalões.

2- Foram recebidos à pancadas pela Segurança do Senado. Uma reação truculenta a uma manifestação pacífica e irônica. Manifestação quem em nada que fere a lei. Ao contrário, é garantida pela Constituição como direito à livre manifestação.

É ou não pra lamentar?

Em tempo: Jarbas Vasconcellos e Pedro Simon, decanos do PMDB que foram "sacados" da CCJ pelo grupo de Renan, tentaram libertar os manifestantes presos.

Não foram atendidos pelos seguranças do Senado.

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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007

Faltava isso da quinta, 4 de outubro.

Demorei a escrever novamente pelos ainda restantes problemas no blog.

Mas estou aqui e pra dizer o seguinte:

O que fazer com o PMDB que tirou Pedro Simon e Jarbas Vasconcellos da CCJ do Senado?

Contemporâneos de Ulisses Guimarães, o maior nome do MDB, eles destoavam do fisiologismo pré-histórico na história da ética partidária - ou falta de - que parece reger o PMDB contemporâneo.

Renan, Sarney, Wellington e Almeida são o PMDB.

Simon e Jarbas são agora o passado da CCJ e da história do MDB. Resistem, mas sofrem como índios sob caciques de tribos de extrema suspeição.

Imagino o que pensaria o Dr Ulisses, que eu ainda menino de 14 anos pude conhecer pessoalmente. Levado pelo meu pai, a meu pedido, para um comício em Piracicaba, nos tempos da Assembléia Constituinte, o renomado e respeitado Ulisses Guimarães fez um "afastão" naquele monte de puxa-sacos para coversar só comigo, um garoto ainda na oitava série. E pra ouvir o que eu achava daquilo tudo, o que gostava de estudar na escola, etc. Foram dez minutos de puro privilégio.

No pouco que conheci pessoalmente de Ulisses, não é esse o PMDB que ele imaginou. Não o que destitui Simon e Jarbas.

Pra lamentar.

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Data para trair

Fato é que por maioria os ministros do Supremo decidiram que o mandato pertence ao partido.

Fato é que quem mudar de partido pode, sim, perder o mandato.

Fato também é que isso, segundo a maioria do Supremo, só será válido a partir de 27 de março.

Quem mudou antes, bingo! Fica como está.

A data de 27 de março é a data em que o TSE se manifestou sobre o assunto, depois da consulta de partidos de oposição que perderam deputados, os infiéis, para legendas da base do governo, num troca-troca partidário de nenhuma consciência partidário-ideológica (existe isso no Brasil?).

Então, no entendimento dos ministros, é partir dessa data que a interpretação da lei passa a valer. É o mesmo que dizer que no Brasil tem data certa para trair, sin perder la ternura.

Por isso, pergunto: mas a lei já não existia? E o preceito de que o partido é parte indissociável do candidadto na eleição? Fidelidade ( até que a morte, digo, o fim do mandato os separe) não é o mínimo que se pode esperar?

Afinal, no Brasil, a lei obriga que o candidato seja de um partido. Sem partido não há casamento na eleição entre o eleitor e a dupla candidato/partido.

Daí, é possível entender que o juridiquês do entendimento da Constituição passou por cima do bom senso, do justo.

Mas não atropelou a Justiça. Afinal, ela acabou de se pronunciar pelos eminentes ministros do Supremo Tribunal Federal.

Durma com essa...sin perder la ternura, claro!

Afinal, já é de madrugada.

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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

Já não era sem tempo!

Estou de volta!

Este blog esteve fora do ar no último mês e meio por causa de problemas técnicos.

Preciso contar também que todos esses problemas ainda não foram resolvidos.

Mas é fato que as condições já permitem escrever novamente e postar.

Desculpem-me os leitores pela ausência e permitam-me convidá-los novamente a ler e participar.

Um grande abraço

Adalberto Piotto

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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

Problemas com o blog

Caros leitores

Desde a semana passada, este blog enfrenta problemas técnicos.

Daí, peço-lhes desculpas pelos transtornos.

O provedor e eu estamos tentando descobrir a solução.

Adalberto Piotto

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Domingo, 5 de Agosto de 2007

É fato!

É fato. Tudo é fato!

Lula continua bem nas pesquisas sobre sua imagem. É fato.

Nem a crise aérea de 10 meses, a omissão do governo, a inércia do presidente, o presidente escondido depois do acidente da TAM, nada, nada disso interferiu significativamente na imagem de Lula.

Lula surfa nos números agradáveis para ele. É fato.

Lula é um fenômeno. É fato.

É fato também que o país tem uma crise aérea.

É fato que o país não tem um presidente com capacidade gerencial e que tem escolhido mal quem o faz em nome dele.

É fato que a maioria tem como melhor trunfo a carteirinha de filiado do PT.

É fato que os aeroportos estão sucateados em estrutura. Que um dos equipamentos de segurança do Cindacta de Brasília não tinha sobressalente e o aeroporto ficou 10 dias sem o tal instrumento.

É fato que os controladores continuam ganhando mal, ouviram a promessa de desmilitarização de um ministro do governo em nome do presidente e, algum tempo depois, Lula voltou atrás e tudo está como sempre esteve pronto para um novo motim.

É fato que o Brasil cresceu pouco nos últimos anos. Que tem uma carga tributária criminosa ao desenvolvimento.

É fato que o presidente prometeu o espetáculo do crescimento e ele ainda não aconteceu.

É fato que Lula pensa que a saúde pública brasileira é quase perfeita. É fato que quem pode, não vai a um hospital público e paga por um plano privado. Incluindo os que vivem ao redor do presidente.

E o povo? É fato que continua tentando sobreviver nos corredores lotados dos hospitais públicos, espera em longas filas, ganha o Bolsa-Família, acha que Lula lhe faz um favor e o agradece dizendo que o presidente é ótimo.

É fato que a maioria da população brasileira é deseducada politicamente, conhece pouco seus direitos, gosta de paternalismo e contenta-se com pouco.

É fato que a elite e a pobreza se igualam em esperar que o governo resolva seus problemas. Alguns por esperteza, outros por necessidade absoluta ou por sabe-se-lá-o-quê?

É fato que Bush visita pessoalmente os locais dos acidentes que matam americanos.


É fato que Lula se esconde nessas horas, mesmo que brasileiros morram.

É fato que nunca na história desse país houve tantos fatos que falem por si.

É fato. Tudo é fato.

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Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007

Conselheiros? É fato?

Lula diz que o governo não sabia da gravidade da crise aérea.

A afirmação foi durante a reunião do Conselho Político, que, semanticamente falando, deve aconselhar o presidente.

Quem trouxe a declaração presidencial a público foram os presentes à reunião.

Diante da manifestação divina, ops, presidencial, ao que se sabe, ninguém teria dito nada.

Não são conselheiros?

Alguém deveria, espero, ter dito ao presidente que essa tal crise aérea ocorre há mais de 10 meses. O governo foi avisado, embora a base governista tenha a todo momento tentado negar o problema, inventar teses conspiratórias ou argumentos sem criatividade "de que a elite não se conforma com o metalúrgico presidente", etc, etc.

Talvez, debruçar-se sobre o problema e TRABALHAR tivessem dado mais resultado e 'advertido' o presidente acerca da crise e sua gravidade.

É fato.

Fato também é que o presidente, justificadamente, viaja sob condições especiais. Os ministros, não sei se tão justificadamente, também. Mas é fato que isso acaba distanciando Suas Excelências da realidade da imensa maioria dos brasileiros comuns.

Fato é que o presidente também já disse que não gosta de ler jornais.

Fato é que o presidente sempre diz que "não sabia".

Nunca na história desse país se ouviu um presidente dizer tanto que "não sabia".

É fato.

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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

Lula, o pai dos pobres?

Como se chama a bolsa dos ricos deste país?

Não, não me refiro a marcas como Gucci, Prada ou outras grifes.

Queria saber como se chama a bolsa de auxílio do governo federal à elite brasileira. Se os pobres têm bolsa-família, os bacanas devem ter alguma também.

Pergunto isso ao levar em conta o que disse o presidente Lula ontem em Cuiabá, na retomada de sua agenda de aparições públicas, sempre com claques.

"...a parte mais pobre é que deveria estar mais zangada, porque ela teve menos do que eles (os ricos) tiveram. É só ver quanto ganham os banqueiros, os empresários, e vamos continuar fazendo política sem discriminação".

Se o próprio presidente assume que o governo dele, que seria para mudar o país e garantir o acesso dos andares de baixo à cidadania verdadeira, privilegia os ricos que "ganharam (neste governo) como nunca na história deste país" mantendo a mesmice histórica, dizer o quê?

Só gostaria de saber o nome da bolsa dos ricos visto que Lula "esbravejou" numa clara reação às críticas do pessoal do "Cansei", a elite do lado de lá. A outra elite está acomodada, bem acomodada, nos sofás das aconchegantes salas do Palácio do Planalto.

Mas assim como os bolsas-miséria dos pobres, é paternalismo governamental que não provoca crescimento sustentável, não atende às gerações de agora nem prepara o país para as próximas.

Triste.

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Que país é esse? .

Publico abaixo, com autorização do autor, o texto que o ouvinte André Alencar Porto me enviou ontem na CBN. É lúcido, pra dizer o mínimo.

QUE PAÍS É ESSE?
*André Alencar Porto

Menos de um ano depois do maior acidente da história da aviação civil brasileira, defrontamo-nos com mais uma catástrofe aérea no País. Independentemente dos motivos que tenham levado a tais circunstâncias, uma coisa fica clara para todos nós: o setor aéreo é mais um setor que faz transparecer toda a incompetência e corrupção que permeia o Estado Brasileiro.
Digo mais um setor porque, infelizmente, o número de mortes causadas por acidentes aéreos no País ainda não é comparável à quantidade de pessoas que morrem todos os dias nos bancos dos hospitais ou que morrem vítimas da violência ou ainda ao número de crianças que têm seu futuro assassinado por falta de educação. Não quero de forma alguma banalizar uma tragédia de proporções da que aconteceu com o avião da TAM dias atrás ou o ocorrido com o avião da GOL no ano passado. Ao contrário, quero aproveitar esse momento para mostrar que esse é mais um problema que temos de enfrentar, dentre tantos outros. Estamos em um momento oportuno para tanto, tendo em vista que o destaque dado ao acidente faz com que todos paremos para pensar um pouco a respeito do valor de uma vida.
Aqueles que nunca foram a um hospital público ou nunca freqüentaram uma escola pública ou jamais tenham entrado no “complexo do alemão” no Rio, certamente já andaram de avião. Estes, que até então enxergavam de camarote todo o problema do Estado Brasileiro, agora se vêem envolvidos por ele. Talvez esse seja o motivo pelo qual a imprensa e nossos políticos estejam tão mobilizados e se mostrem tão comovidos com o que está acontecendo na aviação civil brasileira. O problema chegou a eles.
Por que não se mobilizar também em prol da educação? Por que não há plantões do Jornal Nacional para mostrar as mortes por descaso que ocorrem todas as noites nos hospitais brasileiros? Há claramente uma sub-valorização de problemas que são tão sérios quanto os que assombram os aeroportos brasileiros, enquanto o correto seria colocar todos no mesmo plano e buscar uma solução para eles. Um não é mais nem menos importante do que o outro. Todos têm a mesma origem: anos e anos de incompetência e corrupção.
É preciso agir urgentemente. Não podemos ficar na situação em que estamos, fadados a ser governados por políticos que colocam interesses particulares acima dos interesses coletivos. Quando tomamos por base a definição de Estado como um conjunto de órgãos responsáveis pela realização de interesses coletivos, através do exercício dos poderes delegados pelo povo, sem perder de vista a soberania deste, vemos que o Brasil é um País sem Estado. Incompetentes e cúmplices da corrupção, os governantes deste País estão no poder para defender interesses de classes e não da coletividade. De que adianta o Presidente da República se orgulhar de um crescimento econômico se não há qualquer desenvolvimento social? A economia cresce sim, graças ao setor privado. E poderia crescer muito mais se não fossem as barreiras impostas pelo Estado, dentre as quais podemos citar a elevada carga tributária e as leis trabalhistas antiquadas.
Querem uma solução? Privatizar. Privatizar? Sim, privatizar. Ou seja, transferir à iniciativa privada a gestão de algo que o Estado é incapaz de fazê-lo com excelência. Apesar de todo o acanhamento do candidato do PSDB nas eleições passadas em defender a privatização, esta pode ser a melhor solução prática para tantos problemas. Cite-se como exemplo a privatização do setor de telecomunicações, da malha ferroviária e das rodovias brasileiras. Segundo dados do Ministério do Planejamento, apenas no primeiro ano de privatização, o crescimento no número de telefones móveis instalados chegou a 104%, possibilitando o acesso das camadas mais baixas da população a este tipo de serviço, porque houve diminuição do custo de manutenção.
O Programa de Concessão de Rodovias Federais do Governo, iniciado nos anos 90, já permitiu a privatização de parte da malha rodoviária na região sul e sudeste. Nesses trechos, de acordo com informações do Ministério do Planejamento, houve diminuição nos índices de acidentes e aumento no grau de satisfação dos usuários. A rede ferroviária do País vinha caindo constantemente até o fim dos anos 90, a partir de quando a iniciativa privada passou a investir na modernização deste setor. Segundo dados da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, o número de acidentes nos últimos 10 anos caiu pela metade, ao passo que o volume transportado cresceu 61%.
A educação é outro bom exemplo de incompetência do Estado. Universidades públicas hoje servem para educar a classe média e alta. Não é a toa que a própria Universidade de Brasília tem mais vagas de estacionamento do que salas de aula. A maioria dos estudantes que hoje ocupa os bancos das universidades públicas certamente poderia pagar por um ensino superior, subsidiando o ensino daqueles mais carentes. Ao Estado, caberia a base, a formação inicial do cidadão. Vemos rios de dinheiro sendo investidos na elite do País, ao passo que o povo, sequer, tem direito ao Ensino Básico. Alguma coisa errada existe!
Não podemos ficar à mercê do desgoverno, enquanto a cada dia perdemos milhares de vida. Mortes que não sabemos definir se “morridas” ou se “matadas”, mas certamente, futuros encerrados prematuramente.
É revoltante saber que enquanto deveríamos estar comemorando recordes de nossos atletas no PAN, estamos chorando recordes de incompetência do Estado.

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Terça-feira, 31 de Julho de 2007

Cansei!

A OAB São Paulo e empresários paulistas lançaram no final de semana o "Cansei".

O movimento se diz apartidário e critica o país, a corrução, a leniência do governo com a crise, etc.

Chove no molhado. Nada do que disseram é mentira. Sabemos todos.

Como os fatos não são mentira, o governo e o PT, acuados, voltaram-se contra a fonte do cansei.

Miram na tal elite econômica que estaria, em tese, escondendo objetivos político-partidários em nome da causa.

Ao fato, sob todas as análises:

Quando se está no poder público e se sofre uma crítica, responde-se.

Se há um grupo, seja ele qual for, que denuncia uma determinada situação, tem-se duas alternativas:

1- Responde-se a esse grupo e mostra-se se ele está certo ou não.

2- Desmerece-se o grupo e faz de conta que tudo é motivação partidária, sem resolver nada e muito menos investigar a podridão. Joga pra galera.

Pessoalmente, não tenho a ficha nem o currículo completo de ninguém do Cansei. Em alguns, me arrepia o ar indignado, claramente fora de lugar. Mas esse pessoal do "Cansei" não está no poder e não foi eleito para tanto - em parte dos casos, ainda bem! No entanto, quando reclama, está no direito que a cidadania e a democracia conferem. O problema na sociedade brasileira é esse direito só estar sendo exercido na plenitude pelo pessoal do "Cansei".

Cadê os movimentos sociais de base? Estão envergonhados ou partidarizados demais para se opor ao atual governo? Temos uma crise, não? Onde eles estão?

De qualquer forma, com ou sem participação social, o que o Estado de Direito não permite a quem está no poder é que ignore a crítica e faça que nada existe.

De FHC, o PT e Lula exigiram tudo. Errados? Não. Exerciam a democracia e reivindicavam. Tinham toda uma intenção de chegar ao poder. Usavam uma causa social para justificar a luta partidária. Não era ilegítimo, a exceção dos absurdos do "Fora FHC", erro admitido por parte do partido hoje em dia.

Daí, o pobre argumento da cúpula petista contra o "Cansei" por ser partidarizado não encontra justificativa plausível. É ensurdecedor à inteligência e ao bom senso. Emudece a razão.

Daí, cansei da constipação democrática de quem é criticado.

Cansei também do individualismo dos integrantes do "Cansei", no passado sem grandes preocupações com a coletividade, hoje, querendo adesões ao seu movimento, venha de onde for. Afinal, apoio é bom.

Cansei de esperar que ambos se desculpem com o país, embora ainda espere o pedido de desculpas.

E cansei, também, do simplismo tolo de boa parte da crítica que ou reclama dos Berzoinis ou dos Dórias sem exigir deles o que eles devem ao país.

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Esqueceram-se de nós.

Desde ontem, recebo mensagens de ouvintes do CBN Total me perguntando sobre meu "silêncio" neste blog neste momento de efervescência política no país. Política, não partidária.

E confesso que fiquei meio afastado, vendo as coisas à distância para tentar entender o momento.

Não bastasse a crise presente, há o desnudamento completo de o como fomos enganados no passado, o que compromete nosso futuro.

No aeroporto de Cumbica, a solução pra tudo, agora se descobre que a pista principal ficou mais de 15 anos sem uma reforma digna.

De duas, uma: ou não se tinha um cronograma de manutenção preventiva - o que é esperável - ou não se seguiu esse cornograma, embora não tenha faltado dinheiro. As taxas de embarque garantem a renda.

Seja qual for a explicação, é igualmente assustador o quanto se esqueceram de nós.

No país, o próprio Tesouro Nacional revela que a maior parte dos recursos do PPI, a sigla que denomina Projeto Piloto de Investimentos, ficou armazenada para pagar juros da dívida, fazer o tal superávit primário. Só 10% foram gastos até agora no ano. É dinheiro que seria gasto em infra-estrutura, uma das mais carentes áreas de atuação governamental do país.

Que fazer superávit é bom, ninguém discorda. Mas quando o superávit deixa milhões de pessoas esperando em filas intermináveis e sem informação nos aeroportos, quando pôde ter contribuído para a morte de todos os passageiros dos dois maiores acidentes aéreos do país, quando condena uma geração inteira a não ter boa educação, saúde, futuro, aí, é bom repensar a política econômica e os sorrisos a la Mantega, para quem a economia nunca teve índices melhores.

Na conversa que tive no CBN Total de hoje com o professor e economista da UNICAMP Geraldo Biasoto Junior, ele revela que existem muitos projetos para se gastar dinheiro no país, mas a maioria absoluta não está planejada, organizada. Ou seja, sabe-se por onde o dinheiro entra, mas ninguém conta no projeto onde ele vai e como volta, o retorno do investimento.

Adiciona ainda o professor Biasoto que o país abriu mão nos últimos anos de ter orgãos que pensem o país para as próximas décadas. Nem universidades, nem governo, ninguém. Somos um montão de gente andando sabe-se lá pra onde.

Enganaram-nos a todos.

Ninguém pensou o país.

Somos o que somos.

Estamos assim.

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Sexta-feira, 27 de Julho de 2007

Comando e Tempo

Nelson Jobim, o novo Ministro da Defesa, tem arrancado elogios de parte da crítica política deste país.

Os analistas marcam o suposto estilo "mandão", "estudioso", "determinado" e, o maior deles, "o homem certo para a função".

Não é pouco. Aliás, a se ver a mediocridade da maior parte dos homens e mulheres (não posso deixar de lembrar que Marta e Dilma existem) públicos deste país, são elogios que beiram ao 'rasgado'.

Mas o próprio Jobim ajuda na sua avaliação inicial positiva. Na primeira declaração sobre a crise já tascou: "A crise aérea é problema de comando" - ao reconhecer a inabilidade do governo Lula no setor.

Pra que fique claro, o presidente da República é o comandante em chefe das Forças Armadas e, por isso, Lula é chefe de todos. É fácil, portanto, deduzir que Lula afrouxou nos últimos tempos.

Mas voltando a Jobim, não basta apenas dar comando e voz na crise e nos seus comandados, bater na mesa, apontar soluções e executá-las. Há um imenso problema de estrutura deficitária.
Não basta mandar os controladores trabalharem mais e melhor, por exemplo. Há um limite na capacidade de trabalho de qualquer ser humano. É preciso remunerar melhor os controladores, dar melhores condições de trabalho - isso significa investimento que significa gasto. É preciso contratar mais controladores e leva tempo formar novas turmas. E o tempo não se encurta. É senhor de si mesmo.

Há o tempo das obras, o tempo com licenças ambientais, com licitações, há o tempo da lei, o tempo da secagem do concreto, do convencimento da equipe econômica e do próprio Lula, o desertor de comando nos últimos tempos, segundo uma avaliação óbvia da tal "falta de comando".

Há um outro tempo ainda mais perigoso. O tempo em que saírem novas pesquisas de opinião sobre a imagem do presidente. Se elas estiverem boas para Lula, sempre animadas pelos bolsas-miséria, aí não tem jeito. O tempo de Jobim poderá ser longo sem conseguir fazer muita coisa ou curto porque viu que não dá pra trabalhar sério.

É o tempo. E é tempo também de abrir a caixa preta da Anac e da Infraero loteadas politicamente entre petistas e aliados. Será que a companheirada vai permitir?

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